18 janeiro 2011

Caminho de Cristo: solidariedade, sensibilidade e amor

O caminho de Cristo é identificado pela solidariedade, sensibilidade, onde ambos são depositados em uma base de amor...

A solidariedade veio à tona. É impossível não sermos solidários - se há algo que não corresponda a este sentimento-ação, há algo errado no ser humano individual. Nunca vivemos tempos mais propícios para sermos solidários com os que sofrem maiores perdas diante de tamanhos desastres. O mundo está caminhando de tal forma que já sobram vagas para os que desejam ou precisam ser solidários. "Chorai com os que choram" disse Jesus.

A sensibilidade acompanha quem se solidariza. Vivemos ainda em um mundo onde há resistentes em grande número. Muitos são os que lutam pela e mediante a razão apenas. Lutam para que todos tenham os pés no chão, olhando a vida com realidade cruamente - lutam pelas bases, sem que haja sonhos, lamentos, choros, ou esperança. A sensibilidade é rara. Não há sensibilidade pelos que têm fome - torna-se mais fácil mandar a multidão ir embora para longe, assim não precisamos alimentá-los. Não há sensibilidade nos relacionamentos. Parece-nos que a alegria está nas conquistas, mas conquistas estas que referem-se ao poder, ao domínio, à notoriedade. Jesus chora por seu amigo Lázaro que havia morrido; como também chora pela cidade de Jerusalém em tom de lamento. No entanto, em seu próprio caminho, Cristo sempre pergunta "o que desejas que te faço?" ou em suas diversas procissões com os discípulos, pára com finalidade de retornar àqueles que são cegos ou sofrem de alguma forma.

O amor significa olhar atentamente o outro e não apenas a si mesmo. O amor é calcado pela solidariedade e a sensibilidade. As diversas tragédias que marcam um novo tempo em nossa vida sinalizam melhor quem é Jesus, a partir do momento em que olhamos os homens vitimados como Jesus olharia. Não há como fugir, não como enganar e nem como criar máscaras. Por meio de nossa realidade hoje, voltamos ao desejo de Deus: sermos próximos. Os que resistirem serão caracterizados como egoístas, insensíveis e desalmados com muito desamor.

Somos nós, os que caminham nos caminhos de Jesus, é que damos de comer aos que têm fome. É o melhor momento para revelarmos quem é Jesus de Nazaré e seu significado. Caso contrário, nosso caminho é outro, ou seja, caminhamos com a religião e com os que assistem tudo e lavam suas mãos sem ter a capacidade de mudar a história - Jesus nos chama não para mudar o mundo, mas para mudar a história das pessoas, diante do mundo que elas vivem...

05 fevereiro 2010

16 dezembro 2009

O menino, o paiol, a salvação

A liberdade vem de uma criança, em um lugar onde os animais bebem água. Um personagem simples – menino recém-nascido; um lugar humilde – apenas serve para os animais.
Pensar que Deus, o Pai, não se importou com a imagem que seria marcada para sempre – qual a impressão que Deus deveria deixar em um momento onde nascia seu unigênito?! Aparentemente, parece ser um momento que não foi o melhor – afinal, uma menina grávida de um homem mais velho que não era, biologicamente, o pai da criança, deu margem para diversos comentários: muita fofoca! Aos olhos críticos e exigentes, “ainda mais pensando que o projeto nasceu de Deus, algo intrigante para os que pregam que Deus quer o melhor”, percebe-se um lugar que não foi o melhor – onde já se viu o Rei dos judeus nascer em meio a relinchadas, mugidos, e outras expressões que caracterizam um lugar sem muita higiene, um lugar inóspito?! O Deus da salvação é representado, inicialmente apresentado como uma criança – aos olhos de uma cultura judaica uma criança não simboliza salvação. Aos nossos olhos, uma criança apenas transparece meiguice, comunica ingenuidade, indica impotência, não vai muito longe.
Mas o presépio é cheio de gloria.
Aos olhos de Deus... havia dignidade em Maria, e em José havia um marido e verdadeiro pai. Para Deus, o lugar era ideal. Não há castelo, não há soberba, não há vaidade... há simplicidade, há uma identificação com a miséria humana – verdadeira identidade que há em todos nós, onde muitos tentam esconder. O menino-Deus vem demonstrando que não há o que esconder. O lugar se encaixa. Para Deus, na criança, no menino, não há tirania como há nos reis adultos. Na criança, não há violência, como reina no coração dos imperadores. No menino, o verdadeiro governador, não há desonestidade e desumanidade, como há nos políticos e autoridades publicas, que acreditávamos serem defensores dos homens. Na criança não há a obrigatoriedade de expressar força, poder, pois o poder e a força estão presentes no mais inesperado ser. A mãe ainda virgem, o pai confuso, e o menino libertador, mudaram nossa história, nos incluíram na família de Deus.
É preciso seguir a estrela. É necessário olhar para o menino, com olhos de menino.

03 outubro 2009

Vivendo a esperança

“santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3,15).
As comunidades que recebem a carta de Pedro vivem na expectativa de que Cristo logo vem. Há esperança. Há alegria em receber a vinda de Jesus. Pedro leva encorajamento aos irmãos das igrejas da Ásia menor, que estão sendo perseguidos.
Hoje, a nossa esperança, além da vinda de Cristo, é nossa afirmação a respeito de quem seguimos – Jesus; e no que cremos – nas suas palavras.
Nós respondemos à razão da nossa esperança por meio da vida que levamos. Nossas palavras e nossos atos respondem quem somos. Nossa mansidão, paz e amor, que devem fazer parte da rotina da vida, testemunham e respondem sobre nós.
Cristo santificado no coração possibilita a demonstração de que há
segurança. Estamos seguros, pois, a razão da nossa esperança é a constatação de que Jesus toma conta do coração. O coração pode estar repleto de Cristo.
O coração que tem Jesus como Senhor, observa e entende que tudo o que há na vida é encarado com esperança. Posso viver na esperança da vinda de Jesus, mas devo viver na certeza de que aqui e agora, Jesus reina em mim.
É imprudente viver consolado de que somente o céu trará paz. É o mesmo que mortificar o coração, concentrando-se no aguardo da vinda do Senhor, crendo que seja impossível experimentar Deus neste momento, com ar de satisfação e regozijo – amigos e irmãos, por favor, não, a verdade é que Deus está próximo, Deus é conosco.
Esperamos já sabendo o que virá, portanto, já vivemos o que esperamos. O Deus vivo em nós convida-nos para um olhar modificado para a vida (“e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus” – apóstolo Paulo aos Gálatas 2,20).
Não amaldiçoemos a vida e nem os homens, enfim, tudo o que na vida há. O que há de mais errado é o pecado presente nos homens – pecado que fere a Deus, e que oprime o próximo. Mas não esqueçamos que é o pecado que, ao mesmo tempo, uma vez conhecido, nos apresenta Cristo, e aí se constrói uma ponte que nos une a Deus.
Viver a esperança é premeditar, é já andar no caminho certo que nos leva a Deus. Cristo deve ser Senhor do coração, para que a vida experimente já, o presente que Deus já nos deu. Deus nos deu vida para viver com os olhos de Cristo. Neste olhar há choro, mas também há consciência da presença substancial do Pai. E o Pai presente, é tudo...
Deus conosco